George Weah, de Bola de Ouro a presidente

George Weah, de Bola de Ouro a presidente


George Tawlon Manneh Oppong Ousman Weah, mais conhecido como George Weah, nasceu no dia 1 de outubro de 1966, em Monróvia, capital da Libéria.

Desde jovem, Weah foi mostrando qualidade dentro das quatro linhas, passando por vários clubes africanos até chegar ao Tonnerre Yaoundé, clube camaronês onde ganhou dois títulos nacionais.

Foi a partir daí que o mundo do futebol começou a interessar-se por esse jovem avançado. E, em 1988, aos seus 21 anos, o AS Monaco, então treinado por Arsène Wenger, pagou 150 mil euros para assegurar os seus serviços. Weah continuou a provar que tinha qualidade para jogar na Europa, levando o Monaco a ganhar uma “Coupe de France”, Taça de França, na época de 1990-91.

Em 1992, o Paris Saint-Germain decidiu contratá-lo por 6,5 milhões de euros, mas mesmo com o peso da sua transferência, o liberiano não tremeu, ganhando um campeonato francês, uma Taça da Liga e duas Taças de França nas suas três épocas na capital francesa.

Mas foi no AC Milan onde foi mais feliz, já que, na sua primeira época ao serviço do seu novo clube, George Weah foi nomeado melhor jogador africano do ano, melhor jogador do mundo pela FIFA e Bola de Ouro em 1995. George Weah tornou-se então o primeiro, e único, vencedor do Ballon d’Or africano. O então melhor jogador do mundo passou quatro épocas e meia, ganhando o “Scudetto” duas vezes.

No mercado de inverno do ano 2000, George Weah foi emprestado ao Chelsea e, apesar da sua curta passagem, ainda teve tempo para ganhar a FA Cup, Taça de Inglaterra, a competição mais antiga do mundo.

No verão desse mesmo ano, o Manchester City decidiu contratar a estrela africana por uma época, antes de o ceder ao Olympique de Marseille, que, por sua vez, o cedeu ao Al Jazira, onde terminou a sua carreira em 2003.
George Weah sempre foi muito ligado à política da sua terra natal, graças à fundação que ele criou, Fundação George Weah, ajudando vítimas da Primeira e Segunda Guerra Civil da Libéria, que chegaram aos 250 000 mortos, e investindo do seu próprio dinheiro em infraestruturas e equipamentos para a sua seleção poder jogar. Em 2005, logo após o término da sua brilhante carreira, George Weah aproveitou o seu bom momento mediático para se candidatar às eleições presidenciais da Libéria. Apesar das suas promessas para lutar contra a pobreza e a corrupção instalada, acabou sendo derrotado pela candidata Ellen Johnson Sirleaf. Voltou a candidatar-se em 2011, voltando a perder para a então atual presidente Ellen Sirleaf. Mesmo assim, não abandonou o seu amor pela política e conseguiu ser eleito senador de Montserrado em 2014.

Foi em 2017 que “mister George” conseguiu realizar o seu tão desejado sonho, sendo eleito presidente da Libéria. O seu mandato ficou marcado por promessas contra a pobreza e corrupção e investimentos na educação, incluindo propinas universitárias gratuitas em instituições públicas.

Voltou a candidatar-se à presidência em 2023, mas perdeu para Joseph Boakai num processo pacífico, algo raro numa região com um histórico de instabilidade política.

George Weah provou mais uma vez que o futebol não é só um desporto, passando de uma das zonas mais pobres do seu país a melhor jogador do mundo, mas sem nunca esquecer as suas origens, voltando para dar um futuro melhor à próxima geração como presidente.

Texto: Marco Leite