No passado dia 4 de dezembro realizou-se o 14º debate na corrida às Eleições Presidenciais entre Catarina Martins, candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda, e João Cotrim de Figueiredo, candidato apoiado pela Iniciativa Liberal. Ambos concordam em relação à justiça mas divergem no que toca ao conflito da Ucrânia e na defesa.
Os candidatos mostraram-se preocupados com a falta de escrutínio no Ministério Público e consideram que o procurador-geral do país “deve explicações ao país” após a divulgação de uma síntese de transcrições de escutas que incluem António Costa. Catarina Martins avalia que os casos consecutivos na justiça portuguesa manifestam a descredibilização das instituições e da democracia, Cotrim afirma que o pior serviço que poderia prestar era dar “asas” àqueles que acreditam que a democracia está em crise.
Já na defesa, a candidata apoiada pelo BE, considera o investimento de 5,8 milhões de euros anunciado pelo Ministro da Defesa é “desproporcionado, desequilibrado e sem estratégia” argumentando que tanto Portugal como o resto da Europa devem repensar na sua defesa, capacidade de cooperação e nas áreas que são fundamentais mas que estão atrasadas. Cotrim interveio acusando a sua adversaria dizendo que “Por si, Portugal estaria fora da NATO” e para o liberal Portugal deve estar integrado na NATO pois é a única possibilidade de defesa única. Analisa também que as ameaças de Putin resultam da fraqueza e da falta de coesão europeia consequentemente é indispensável o aumento do investimento em defesa. Os candidatos prolongaram-se a discutir sobre o conflito na Ucrânia divergindo em tudo menos no facto da Europa se ter demitido das suas responsabilidades até agora.
Acerca do papel do Estado, Cotrim Figueiredo diz que o Estado deveria estar em todas as funções de soberania em que a sua função reguladora é essencial mas considerou que o Estado “ainda está em tanta coisa onde não deveria estar” exemplificando com a saúde, já em relação à educação e a segurança social afirma que não têm de ser asseguradas pelo Estado e sim por quem consegue prestar melhores serviços, sendo públicos ou privados. Catarina Martins defendeu que o Estado deve garantir um sistema público universal e não financiar simultaneamente alternativas privadas, considerando esse modelo insustentável e desigual, argumentou também que, apesar das dificuldades, o SNS cumpre a sua missão e pode ser reforçado dentro do quadro constitucional. Cotrim rebateu apontando falhas do SNS e questionou por que razão ainda se mantém este sistema, rejeitou a ideia de favorecer privados e afirmou que estes são principais beneficiados pelo colapso do SNS.
Já na reta final do debate, o candidato apoiado pela IL sugeriu a Catarina Martins imaginar “três ADSE’s” para ampliar alternativas no sistema de saúde. Catarina Martins respondeu que isso significaria transferir para o Orçamento do Estado custos atualmente suportados pelos trabalhadores, aumentando a desepesa pública para financiar privados.
Texto: Lara Sousa