Do susto ao espetáculo: Benfica renasce aos 89′ e conquista a Madeira

Do susto ao espetáculo: Benfica renasce aos 89′ e conquista a Madeira


Num Estádio da Madeira bem composto, o Nacional e o Benfica entraram em campo para a 12.ª jornada da Liga Portugal Betclic, em cenários bem distintos na tabela: os madeirenses em 11.º lugar, com 12 pontos, e os encarnados no 3.º posto, com 25. Depois da derrota por 4–2 frente ao Braga na Taça de Portugal, Tiago Margarido procurava uma resposta imediata, enquanto José Mourinho chegava moralizado pelo triunfo europeu por 0–2 diante do Ajax, os primeiros pontos do Benfica na Liga dos Campeões.

As equipas apresentaram algumas alterações: do lado encarnado, Mourinho trocou Richard Ríos por Rodrigo Rego enquanto no Nacional, Nourani regressou ao onze, tal como o guardião Kaique Pereira, após Lucas França ter sido utilizado no jogo da Taça. O encontro foi dirigido por Iancu Vasilica, árbitro vilarealense.

O Benfica entrou mais forte e assumiu de imediato o controlo da posse, que chegaria aos 62% ao intervalo e durante 25 minutos instalou-se com autoridade no meio-campo adversário. A dificuldade esteve, porém, em transformar domínio em ocasiões claras. As águias remataram sobretudo de longe, com Ausners a tentar o golo num disparo perigoso ao qual Pavlidis não conseguiu dar o desvio decisivo.

O Nacional, por sua vez, fechou-se com linhas muito juntas e não registou qualquer remate à baliza na primeira parte. Já perto do intervalo, o Benfica viu um golo anulado, aumentando a sensação de controlo, mas também a frustração pela falta de eficácia. Chegando assim ao intervalo com o placar a 0–0.

A segunda parte começou com o primeiro sinal ofensivo do Nacional aos 51 minutos: uma transição rápida terminou num remate potente que obrigou Trubin a uma enorme defesa, desviando para canto.

Aos 55 minutos surgiram os primeiros cartões do encontro após um breve conflito, para Enzo Barrenechea (Benfica) e Emootaz Nourani (Nacional). Dois minutos depois, Leandro Barreiro teve uma das melhores oportunidades do jogo, mas falhou incrivelmente frente a Kaique, desperdiçando o que parecia o 0–1 para a equipa das águias.
Mourinho respondeu com a saída de Rodrigo Rego para a entrada de Prestianni, enquanto Tiago Margarido refrescou o ataque ao substituir Nourani e Baeta por Witi e Labidi.
Aos 60 minutos, o Estádio da Madeira explodiu de alegria: um erro de Otamendi deixou Jesus Ramírez na cara de Trubin, e o avançado venezuelano não perdoou, fez o 1–0 para o Nacional, no primeiro tiro certeiro da equipa.

A resposta do Benfica foi imediata. Dois minutos após o golo, Pavlidis quase empatou, mas Kaique Pereira brilhou com uma defesa monumental que segurou a vantagem.
Aos 68 minutos, Ausners voltou a ameaçar, rematando ao lado, e aos 75 foi a vez de António Silva desperdiçar um cabeceamento em excelente posição.

Quando parecia que o Nacional ia segurar aquela que seria a primeira derrota do Benfica no campeonato, surgiu o génio individual: aos 89 minutos, Prestianni soltou uma autêntica bomba de pé esquerdo e empatou o jogo com um golo extraordinário, devolvendo esperança aos encarnados.

Foram dados nove minutos de compensação. Aos 90+5, Andreas Schjelderup inventou uma jogada brilhante pela esquerda e serviu Pavlidis, que só teve de encostar para o 1–2 final, consumando a reviravolta.

O Nacional tentou reagir, empurrado pelo público, mas o Benfica, experiente e frio, controlou até ao apito final aos 90+9.

O Benfica mantém a invencibilidade na LPB e soma três pontos importantes fora de casa, numa exibição de sofrimento, mas também de carácter. Mourinho mexeu bem e viu Prestianni e Schjelderup serem decisivos na reação.

O Nacional, apesar da derrota, deixou boa imagem pela forma como resistiu e pela eficácia demonstrada no único erro grave da defesa encarnada.

O Benfica conquista então 28 pontos, mantendo o 3.º lugar na tabela, enquanto o nacional se mantém em 11.º lugar com os mesmos 12 pontos.

Texto: Clara Vilela

Imagem: @slbenfica