O rally da Croácia ficou marcado por um fim-de-semana caótico, decidido apenas a poucos quilómetros da meta de forma dramática, após erro grave de Thierry Neuville que desperdiçou uma vantagem de mais de 1 minuto perante o segundo classificado, Takamoto Katsuta.
O desporto motorizado regressou à Croácia, após uma paragem em 2025, desta vez para a cidade portuária de Rijeka, para a quarta etapa do campeonato mundial de rallys. O primeiro rally de asfalto da época, é conhecido como um dos mais técnicos e traiçoeiros do mundo, como podemos comprovar por esta edição.
O rally começou com Solberg e Evans como favoritos, mas ficaram ambos fora da corrida pelo pódio ainda na manhã de sexta-feira. Oliver Solberg esteve no rally durante apenas cinco quilómetros, até bater com a traseira e perder o controlo do carro, colocando-o fora de estrada, “Tive um pouco de subviragem e acabámos por bater ligeiramente com a traseira numa parede rochosa”, explicou ele. “É uma pena. Vivo e respiro isto todos os dias, é tudo o que conheço na vida. Quando as coisas não correm como planeado, é difícil.” Já Elfyn Evans parecia confortável nas duas primeiras provas, alcançando uma vantagem de 15,8 segundos sobre Pajari, mas esta vantagem desapareceu na SS3, quando este saiu da pista após levar velocidade a mais numa curva à direita, após um desentendimento entre piloto e co-piloto.
Pajari manteve-se constante enquanto os outros se desmoronavam, e apesar da pressão de Neuville e Katsuta o jovem finlandês conseguiu garantir a sua primeira liderança durante a noite no Campeonato do Mundo de rally da FIA.
No início da manhã de sábado as estradas estavam cobertas de folhas, muita poluição e aderência extremamente inconsistente, mas mesmo assim o finlandês conseguiu manter a distância até ao meio-dia. Mas se a parte da manhã foi um teste às habilidades e concentração dos pilotos, a parte da tarde foi um teste à sobrevivência. As estradas iam se deteriorando e começou a ficar parecido a um rally de terra e foi surgindo o drama dos pneus. Jon Armstrong parou para trocar uma roda, Hayden Paddon, Takamoto Katsuta e Oliver Solberg sofreram furos devido à terra que ia sujando as estradas de asfalto, “É uma pena, porque estávamos a tentar controlar a situação”, disse Katsuta. “Foi uma verdadeira lotaria. Mesmo nos ralis de terra batida não temos tantas pedras assim.”. No entanto, o maior golpe caiu sobre o Toyota de Pajari, que sofreu um furo e teve que parar para substituir a roda, perdendo assim mais d dois minutos, e entregando a liderança a Neuville.
Neuville chega ao último dia com uma vantagem de mais de um minuto, e com a primeira vitória em rallys da época para a Hyundai na mão. Neuville aguentou esta vantagem até à última prova, a Powerstage, mas a meio da prova o Hyundai i20 N Rally1 apanhou um pouco de areia no asfalto que fez com que perdesse o controlo e batesse num bloco de cimento, destruindo por completo a suspensão. Neuville terminou assim a powerstage em esforço e com largos minutos perdidos.
Katsuta, que manteve a pressão e a consistência após os problemas de sábado, cruzou a linha de chegada para herdar a vitória. “É inacreditável. Sinto muito pelo Thierry, mas nós nunca desistimos,” afirmou o japonês, que agora lidera o Mundial de Pilotos com 84 pontos, cinco à frente de Elfyn Evans, com Oliver Solberg em terceiro com 68. O segundo lugar de Pajari garantiu o terceiro pódio consecutivo para o finlandês, mas foi uma recompensa agridoce após uma prova que ele parecia capaz de vencer na vitória absoluta, Paddon, por sua vez, entregou uma das campanhas de destaque do fim-de-semana e conquistou assim o terceiro lugar do pódio.
No WRC2, Yohan Rossel garantiu uma vitória histórica para a Lancia, dando ao Ypsilon HF Rally2 sua primeira vitória na categoria, um resultado que marcou o primeiro top 5 geral da Lancia numa etapa do WRC desde 1994.
Texto: Paulo Ribeiro
Imagem: @officialwrc