Expresso Político – Semana de 2 a 8 de Março

Expresso Político – Semana de 2 a 8 de Março

Durante a passada semana, diversos acontecimentos impactantes marcaram a atualidade política e económica, tanto em Portugal como no panorama internacional. Entre os temas mais eminentes destacam-se o aproximar do fim do mandato presidencial em Portugal, sinais de abrandamento económico no país, a subida do preço dos combustíveis e o agravamento do conflito no Médio Oriente.

No plano político português, começa a ganhar destaque o fim do segundo mandato do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa que deixa Belém já na próxima segunda feira, dando lugar ao novo presidente António José Seguro. Eleito pela primeira vez em 2016 e reeleito em 2021, Marcelo aproxima-se agora do final do seu ciclo presidencial, que consequentemente, significa a sua saída do Palácio de Belém. A presidência de Marcelo ficou marcada por um estilo muito próximo da população, com forte presença mediática e intervenção em vários momentos de crise política e social, alguns comentadores ressaltam que será difícil haver outro presidente com a mesma proximidade que Marcelo tinha com a sociedade portuguesa. No campo económico, surgiram sinais de abrandamento da economia portuguesa no início de 2026.

Após alguns anos de crescimento relativamente estável, diversos analistas apontam para um ritmo de crescimento mais moderado, influenciado pelo contexto internacional e pela incerteza e instabilidade económica global. A desaceleração está associada sobretudo às tensões geopolíticas, ao aumento dos custos energéticos e à menor dinâmica do comércio internacional. Ainda assim, Portugal mantém indicadores de estabilidade financeira relativamente positivos quando comparado com outros países europeus.

Outro tema que marcou a semana foi a subida do preço dos combustíveis em Portugal. O aumento do preço do petróleo nos mercados internacionais está a refletir-se diretamente no custo da gasolina e do gasóleo no nosso país. Comparando com anos anteriores, os preços atuais aproximam-se novamente dos valores registados em períodos de maior tensão internacional, como em 2022, quando a crise energética que sucedeu as invasões russas na Ucrânia provocou fortes aumentos no preço da energia. Embora os valores ainda não tenham atingido os picos registados nesse período, a tendência de subida preocupa consumidores e empresas, sobretudo devido ao impacto nos transportes e no custo de vida.

No plano internacional, a situação mais relevante continua a ser o agravamento do conflito no Médio Oriente, envolvendo Israel, Irão e os Estados Unidos. Nos últimos dias registaram-se novos ataques e respostas militares entre as partes, aumentando o risco de escalada do conflito na região. O envolvimento indireto de aliados e a possibilidade de expansão das hostilidades têm gerado grande preocupação na comunidade internacional, que teme que esta instabilidade e os problemas de segurança se espalhem pelo mundo.

Este agravamento do conflito tem impactos globais significativos, sobretudo no setor energético. A região do Médio Oriente é estratégica para o transporte de petróleo e gás natural, e qualquer instabilidade aumenta o risco de interrupções no fornecimento. Em particular, a possibilidade de perturbações em rotas marítimas fundamentais para o comércio de energia contribui para o aumento da incerteza nos mercados. Como consequência, o preço do petróleo tem vindo a subir a nível mundial, o que se traduz num aumento generalizado dos combustíveis em vários países, um deles sendo Portugal.

Assim, os acontecimentos desta semana demonstram como a conjuntura internacional influencia diretamente a realidade económica de diferentes países. O agravamento das tensões no Médio Oriente tem efeitos imediatos no mercado energético global, refletindo-se no aumento dos combustíveis e contribuindo para desafios económicos que também se fazem sentir em Portugal. Ao mesmo tempo, no plano interno, o país prepara-se para um novo ciclo político com a aproximação do final do mandato presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa.

Iris Almeida