No dia 5 de janeiro de 2014 morreu alguém que, para além de ser um ídolo para o SL Benfica, era um ídolo para toda a nação portuguesa. Eusébio da Silva Ferreira deixava uma marca profunda na mística benfiquista. No entanto, mal se sabia que a dor da perda se iria transformar no caminho rumo à vitória. Sete dias após a trágica notícia era dia de levantar a cabeça e enfrentar os dragões, mas desta vez com onze Eusébios em campo.
O Benfica vinha com o peso do luto nas costas e com uma equipa que ficou para sempre na memória dos adeptos encarnados. Nomes como Rodrigo, Jan Oblak, Luisão, Gaitán e Markovic marcaram uma era no clube encarnado. Já no lado portista, Ricardo Quaresma, Helton, Alex Sandro e Lucho mostravam o que era a verdadeira raça do Norte.
Na 15ª jornada da Liga Nos da época 2013/14 lá se viria a repetir um dos jogos mais esperados da época. O clássico era na luz e todos esperavam ansiosamente para honrar o Pantera Negra num solene minuto de silêncio. Após uma grande onda de dor e de respeito, apitava o árbitro Artur Soares Dias, às 16h00, para o início do espetáculo.
Mais confiante e agressivo o clube encarnado inaugura o marcador a todo o gás ao minuto 13. Rodrigo, após um passe espetacular de MarKovic, respirou Eusébio e fez a magia acontecer. Ao minuto 33, a equipa nortenha perde uma bola que resulta num contra-ataque para o Benfica que só se viu resolvido com a saída de Helton da baliza dos dragões. O jogo segue para o intervalo com uma superioridade clara da equipa da casa.
Com o prosseguir do jogo, enquanto o dragão se encolhia, a águia mais cede tinha, o que acabou por se transparecer no somatório de oportunidades. Ao minuto 50, Marckovic leva o perigo para a área do Porto, mas Helton acaba por lhe cortar as assas. No minuto seguinte, lance polémico na área portista onde Mangala é acusado de tocar na bola com mão. Apesar do tumulto, Artur Soares Dias nada assinalou. Aos 52 minutos, Garay cabeceou para a baliza de Helton com toda a energia após um canto, jogada esta que elevou o marcador dos encarnados para o 2-0. O clássico foi ficando cada vez mais quente o que se converteu nos diversos cartões amarelos vistos por ambos os lados. Já mais calmo, o Porto sentiu um sobressalto ao presenciar a defesa de Helton que travava o remate de pé direito de Rodrigo. Aos 68, o Benfica volta a ver uma chance de ampliar o marcador desperdiçada, neste caso por Matic que cabeceou por cima da baliza depois do livre marcado por Enzo Pérez. Antes do final da partida, o Porto volta a tremer com o ataque benfiquista que é travado pela defesa azul e branca.
Acabou assim o clássico com uma vitória inquestionável do clube de Lisboa e uma noite para ser relembrada para sempre na alma de toda a nação benfiquista como a noite em que uma estrela foi homenageada.
Texto: Joana Santos