A Batalha de Nuremberg

A Batalha de Nuremberg

O jogo lendário que falamos hoje é o Portugal 1-0 Países Baixos a contar para o Mundial de 2006 na Alemanha. O jogo foi disputado no dia 25 de Junho de 2006, no Frankenstadion, atual Max-Morlock Stadion, em Nuremberg, a contar para os oitavos de final do Mundial de 2006 disputado na Alemanha e foi arbitrado pelo árbitro russo Valentin Ivanov. 

Portugal entrou no Mundial na esperança de um primeiro título internacional após o desgosto 2 anos antes no Euro 2004 em casa. Com uma seleção repleta de jogadores nas grandes ligas europeias e no auge das suas carreiras, comandado por Luiz Felipe Scolari, que havia sido campeão com a seleção brasileira no Mundial anterior e com um jovem Cristiano Ronaldo que demonstrava já dar cartas do seu potencial, esperava vir a estar na luta pelo Mundial.

Uma fase de grupos exímia, com vitórias sobre México, Irão e Angola, a seleção lusitana chegava assim motivada aos oitavos de final.

Do outro lado, os Países Baixos entravam também bastante motivados para este Mundial. a seleção neerlandesa que contava com várias estrelas no elenco, desde a baliza com Van der Sar, ao ataque com Van Persie, um jovem Arjen Robben, Wesley Sneijder, Dirk Kuyt e até mesmo Ruud Van Nistelrooy.

Eram também orientados por Marco Van Basten, lendário jogador da seleção que orientava agora. A Laranja Mecânica entrou no Mundial de forma bastante positiva, concluindo o seu grupo em segundo, vencendo as seleções da Costa do Marfim e da Sérvia e Montenegro, empatando apenas com a Argentina de um jovem Lionel Messi.

Chegavam então as duas equipas a este jogo com alguma expectativa.  O último jogo entre as mesmas havia sido no Euro 2004, com a vitória da seleção das quinas. A seleção holandesa vinha assim, com a expectativa de fazer vingar a derrota anos antes.

O jogo começou aceso quando, já aos 2 minutos de jogo, Van Bommel acerta Ronaldo na perna e recebe o primeiro amarelo do jogo. Aos 7 minutos, Ronaldo é outra vez acertado em falta, desta vez por Boulahrouz, numa entrada que levaria o jogador português a abandonar o jogo após ser assistido 3 vezes pela equipa médica.

É a partir deste lance que o jogo começa a desandar. Com apenas o cartão amarelo a ser mostrado ao jogador neerlandês numa falta perigosíssima, os jogadores portugueses começaram a entrar mais duro nos jogadores adversários. No minuto 23, o único golo do jogo marcado por Maniche, num remate na entrada da grande área a colocar a bola nas redes defendidas por Van der Sar.

O jogo em golos ficaria por aí, mas não em cartões. Maniche e Costinha também ficariam amarelados. Costinha que ainda seria expulso antes do fim da primeira parte.

A segunda parte começou já com mais um amarelo, desta vez para Petit, que acabara de entrar a jogo. Seguiu-se um amarelo para Van Bronckhorst aos 59 minutos, seguido de um amarelo aos 60 para Luís Figo após o mesmo, na sequência da falta anterior, dar uma cabeçada a Van Bommel. Aos 63, um segundo amarelo para Boulahrouz, agora por uma cotovelada a Figo, algo ditava o fim de jogo para o lateral.

No minuto 73 após reposição de bola, Deco, descontente com a “falta de fair-play” pelos holandeses, acertou um carrinho às pernas de Heitinga e recebeu cartão amarelo. Durante esse mesmo instante, Sneijder empurra Petit e leva também amarelo. Minuto 77, segundo amarelo para Deco e o jogador português vai para o banho mais cedo, após numa falta demorar a devolver a bola aos jogadores holandeses. Aos 90+5, já no fim do jogo, Van Bronckhorst recebe o segundo amarelo após pontapear Tiago Mendes.

Portugal passou assim das oitavas e só seria parado na semifinal pela França, a vice-campeã.

Este jogo foi anos mais tarde apelidado de Batalha de Nuremberg, devido ao elevado número de cartões mostrados. O árbitro Valentin Ivanov, foi amplamente criticado pelo presidente da FIFA na época, que comentou que “ o juiz mereceu um cartão amarelo por sua atuação e não esteve à altura da partida”

No total foram 16 cartões amarelos e 4 vermelhos, fazendo até ao dia de hoje o jogo com mais cartões na história dos Mundiais, um recorde negativo conservado até aos dias de hoje.

JOGOS LENDÁRIOS

Texto: Rubén Fernandes