Tomás Rosa, atleta de kickboxing e estudante da UTAD, vive um dos momentos mais marcantes do seu percurso ao ver o seu nome entre os nomeados para a X Gala do Desporto Universitário, onde se encontra entre os finalistas ao prémio de Atleta Masculino do Ano.
A distinção surge após um ano competitivo exigente, marcado por disciplina, crescimento pessoal e resultados expressivos dentro e fora do ringue.
Para Tomás, esta nomeação representa muito mais do que um simples reconhecimento: é a confirmação de que o esforço diário vale a pena, mesmo quando o equilíbrio entre treinos, aulas e vida pessoal parece quase impossível.
Como e quando começaste a praticar kickboxing? O que te levou a entrar nesta modalidade?
“Comecei a praticar desde muito cedo, com 9 anos de idade. Inicialmente, comecei por questões de saúde e por vontade dos meus pais de me colocarem numa modalidade desportiva. Com o passar dos anos, fui continuando a treinar e evoluí para a competição.”
Ao longo do percurso universitário, Tomás teve de aprender a gerir uma rotina intensa, onde o desempenho académico e o desportivo se cruzam e, muitas vezes, entram em choque.
Entre épocas de frequências, treinos e a necessidade de manter uma vida social saudável, o estudante/atleta acabou por desenvolver uma maturidade que considera essencial para quem quer competir a sério.
Como equilibras o treino com os estudos e a tua vida pessoal?
“Com a acumulação de trabalhos e as épocas de frequências, o desempenho, tanto desportivo como académico, é posto à prova. O dilema entre focar-me num teste ou num treino é desafiante, mas há sempre forma de balancear. O segredo está na gestão do tempo e também em reservar espaço para a recuperação e para a vida social.”
Este equilíbrio foi posto à prova recentemente nos European Universities Combat Sports Championships 2025, onde o atleta voltou a competir entre os melhores.
Como foi participar nos European Universities Combat Sports Championships 2025 e representar a academia?
“É sempre uma tremenda felicidade poder competir num palco tão grande como um campeonato europeu. Foi a minha segunda participação e espero voltar. A sensação de representar a UTAD foi muito gratificante. Estar a lutar não apenas por mim, mas também pela academia, foi arrepiante.”
Apesar do ambiente competitivo intenso, Tomás reconhece que o kickboxing é uma modalidade acessível e, até certo ponto, terapêutica. A imagem de um desporto agressivo assusta muitos iniciantes, mas ele garante que a experiência é bastante diferente quando se experimenta pela primeira vez.
Que conselho darias a quem está a começar no kickboxing ou tenta equilibrar desporto e estudo?
“Não é tão assustador quanto parece. É um desporto que envolve contacto, sim, mas é extremamente relaxante para aliviar o stress do dia-a-dia. E para quem tenta equilibrar tudo, o balanço pode parecer difícil, mas foi nesta rotina que construí disciplina e autoexigência para ser sempre o melhor que posso ser.”
Tal como qualquer atleta dedicado, Tomás inspira-se em figuras que se destacam pela resiliência e capacidade de superação. Para ele, o que importa não é apenas o talento, mas sim a vontade de ir sempre mais longe.
Há alguém que admires no desporto?
“Admiro atletas que demonstram uma dedicação tremenda e que conseguem ultrapassar dificuldades. Atletas como Mike Tyson ou Alex Pereira são exemplos de inspiração para mim.”
Com o olhar já posto no futuro, Tomás mantém os objetivos bem definidos: crescer competitivamente, continuar a representar a UTAD ao mais alto nível e provar que é possível ser atleta e estudante em simultâneo sem comprometer nenhum dos lados.
Quais são os teus objetivos para o futuro?
“Quero melhorar o meu desempenho nacional e internacional, tentar obter novamente o primeiro lugar nos campeonatos nacionais universitários e melhorar a minha classificação a nível europeu. E a nível académico, quero mostrar que não é tão complicado ser um bom atleta e, simultaneamente, um bom aluno.”
A presença de Tomás Rosa entre os nomeados para a X Gala do Desporto simboliza a força de um percurso construído com trabalho, persistência e paixão por uma modalidade que o acompanha desde criança.
O reconhecimento chega não apenas pelo talento, mas pela capacidade de equilibrar dois mundos exigentes.
Texto: Rafael Pacheco